11 de maio de 2021

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Ou respeitamos as vidas ou vamos viver uma situação inadministrável’, diz Paes; praias serão fechadas no fim de semana

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Prefeito pediu ainda que se retomem ‘as redes de solidariedade’ observadas no início da pandemia.

O prefeito Eduardo Paes disse que, para além do fechamento das praias — anunciado nesta sexta-feira (19) —, vai “aumentar bastante as restrições na cidade na semana que vem”. Ele não detalhou quais medidas tomará.

Paes pediu ainda que se retomem “as redes de solidariedade” observadas no início da pandemia.

“É o momento de ficar em casa”, destacou.

Segundo o prefeito, “o avançar da epidemia está nos deixando em uma situação mais difícil”. O atendimento na urgência e na emergência de pessoas com sintomas de Covid cresceu 25% no começo de fevereiro em relação a meados de janeiro.

“Ou nós temos consciência daquilo que nós estamos vivendo e respeitamos as vidas, ou nós vamos viver uma situação inadministrável nos próximos dias. Eu faço este apelo à população carioca. É uma medida dura, difícil. Sabemos das dificuldades econômicas”, disse.

Praias fechadas

Paes determinou o fechamento das praias neste fim de semana. Essas regras se somam às do decreto publicado dia 11 e valem da 0h de sábado (20) até as 5h de segunda-feira (22).

Está proibido:

  • Ficar na areia da praia;
  • Praticar esportes na praia;
  • Tomar banho de mar;
  • Comércio e serviços na praia, incluindo ambulantes;
  • Entrada de ônibus e vans fretados na cidade, exceto de hotéis;
  • Estacionar na orla.

Quiosques podem abrir normalmente.

Paes fez a ressalva de que a praia “tem menos transmissão que os locais fechados”. “Mas ela é muito simbólica no Rio de Janeiro. Há aqui um esforço de chamar a consciência neste momento”, explicou.

A fiscalização, segundo ele, será feita pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop).

“Primeiro a gente espera a consciência das pessoas, é a primeira esperança que a gente tem. Depois a gente vai ter as seguranças públicas, as forças policiais para impedir a permanência das praias”, disse.

Relembre outras restrições:

  • Entre 23h e 5h, será proibido permanecer em ruas, espaços públicos, praias e praças; a multa por descumprimento é de R$ 562,42 – a circulação será permitida;
  • Eventos, festas e rodas de samba também estão proibidos;
  • Não podem funcionar boates, casas de espetáculo, feiras especiais, feiras de ambulantes e feirartes (artesanato) — feiras livres, de alimentos, estão liberadas;
  • A lotação máxima de 40% também deve ser observada em todos os lugares.

No entanto, bares, restaurantes, quiosques e afins ainda poderão funcionar até as 21h, com delivery depois desse horário.

Continua em vigor o escalonamento das atividades econômicas:

  • Serviços: das 8h às 17h;
  • Repartições públicas: das 9h às 19h;
  • Comércio (incluindo shoppings): das 10h30 às 21h.

‘Rede de solidariedade’

Paes reclamou que não está vendo um “espírito de solidariedade” no Brasil. “Hoje, as pessoas perdem mais tempo brigando e discutindo do que qualquer outra coisa”, observou.

“Meu apelo à população carioca é que, neste momento, possamos restabelecer ou incrementar redes de solidariedade que foram estabelecidas no início da pandemia”, pediu.

O prefeito destacou o nível alto de desemprego na cidade e que “as pessoas mais pobres sofrem muito neste momento”.

“Quando estabelecemos regras restritivas, esta é uma preocupação econômica. Para aqueles que não entendem por que não fazemos dois meses de lockdown, é por isso. As pessoas precisam viver, comer, levar seu sustento para casa”, justificou.

Entre as sugestões de Paes, estão “o patrão que deixa a secretária do lar em casa pagando um salário, evitando o deslocamento dela diário” e “a pessoa que monta uma rede de amigos para entregar cestas básicas”.

“Esta rede de solidariedade faz e fará uma enorme diferença na vida de muita gente”, afirmou.

“Este espírito de solidariedade é fundamental para atravessarmos esta fase difícil. São tempos difíceis, são tempos estranhos, circunstâncias adversas, excepcionais. Mas as medidas são necessárias. Não é possível que as pessoas não se sensibilizem com o que está acontecendo. Não é brincadeira”, emendou.

Consenso com prefeitos

O prefeito do Rio disse ainda que só não anunciou mais restrições, como a antecipação de feriados, porque vai falar com demais prefeitos do Grande Rio para o que chama de “solidariedade metropolitana”.

“A cidade do Rio de Janeiro também não é uma ilha. Ele é o centro de uma conturbação, o centro de um aglomerado urbano, de uma Região Metropolitana. Portanto, qualquer decisão que seja tomada sem que haja uma adesão, uma solidariedade metropolitana, ela se torna mais difícil”, disse Paes.

“Este é uma questão nacional. Vocês não ouvirão de mim qualquer tipo de agressão, de fanfarronice e qualquer pedido mais assertivo. Mas este é o momento de solidariedade nacional. É fundamental o auxílio e a consciência do Congresso e do poder executivo federal para que nós possamos avançar”.

“Não sou negacionista, não sou apavorado e assustado, não implementei o lockdown que me pedem desde janeiro. Desde o dia que eu ganhei a eleição: ‘o senhor vai fazer lockdown?’ Faremos o que for necessário no momento que for necessário.”

São Paulo já adotou a estratégia da antecipação e programou um superferiado de 10 dias no fim de março.

‘Genocídio’

Paes chamou de “genocídio” a estratégia de montar hospitais de campanha quando o Rio tinha leitos parados. Para ele, foi também uma “maluquice”.

“Quando os hospitais de campanha ficaram prontos, um pico da doença já tinha passado”, disse.

“A rede federal tem hoje 800 leitos com potencial de abertura, principalmente por falta de recursos humanos. A rede federal se comprometeu a abrir 80 leitos e a prefeitura negocia a possível abertura de 300 leitos, talvez em um hospital inteiro da rede federal ou dois”, informou Paes.

Veja os detalhes das novas medidas

As áreas de lazer da orla não vão funcionar no domingo.

De acordo com a determinação, fica proibida a permanência nas areias em qualquer horário, incluindo a prática de esportes, o banho de mar e o exercício de qualquer atividade econômica, como o comércio ambulante.

Também está proibida a entrada de ônibus e outros veículos de fretamento na cidade, com a exceção dos que prestam serviços regulares para os funcionários de empresas ou para hotéis. Neste último caso, os passageiros devem confirmar a reserva de hospedagem.

estacionamento também foi proibido na orla, exceto para os moradores, idosos, portadores de necessidades especiais, hóspedes de hotéis e táxis.

As áreas de lazer nas pistas das avenidas Delfim Moreira, Vieira Souto e Atlântica, além do Aterro do Flamengo, também estão suspensa.

Recorde de internação

As UTIs dos hospitais públicos do Rio tinham mais de 622 pacientes internados nesta quinta-feira (18). Foi o maior número desde o início da pandemia, mesmo se considerado o momento em que havia hospitais de campanha.

A ocupação de leitos de UTI na rede SUS na capital — incluindo leitos municipais, estaduais e federais — era de 95%.

Protesto no COR

Enquanto Paes concedia uma entrevista coletiva no Centro de Operações Rio (COR), na Cidade Nova, do lado de fora um grupo representando o setor de eventos fazia um protesto.

Os manifestantes, vestindo roupas pretas, exigiam falar com o prefeito. “A área de eventos é a única que foi esquecida”, disse uma.

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